Feliz 2022 Novo!

Queridos leitores, honra ter vocês.

Obrigada! Mas obrigada é pouco, então…

Pesquisei, pesquisei… e vi afinidade do meu estilo literário com nada mais, nada menos que Luis Fernando Verissimo.

“Para gostar de ler, eis a sugestão: textos curtos, fáceis, divertidos, escritos numa linguagem clara e parecida com a que a gente fala todo dia. Assim recomenda Ana Maria Machado. Assim são os textos de Luis Fernando Verissimo.”

Assim são os textos de Elisabeth Aparecida dos Santos Rosa!

Quero presentear todos vocês com essas deliciosas leituras.

Escolhi o conto Uma certa Casa.

Verissimo, de forma bem humorada, fala sobre relacionamentos homem / mulher adaptados aos tempos que correm… é muito bom!

O cenário do autor é o Rio de Janeiro.

Agora o conto:

“Uma certa Casa

Fica na Zona Sul. Num casarão de Botafogo. Num dos últimos casarões de Botafogo. Para entrar, você precisa ser apresentado por algum conhecido da casa. Se chegar sozinho, ultrapassar o grande portão de ferro, caminhar por entre os canteiros bem cuidados e os anjos de pedra, subir a escada de mármore, bater na porta e perguntar “É aqui que…”, baterão com a porta na sua cara. Você precisa ser apresentado por um cliente. A clientela é pequena. Mas a fama do lugar está crescendo. Os homens olham furtivamente para todos os lados antes de entrarem pelo grande portão de ferro. Muitos vão de dia, para evitarem suspeita. E a fama do lugar se espalha, de boca em boca.

         – Você não pode imaginar o que é…

         – Um negócio diferente, é?

         – É o que a gente estava esperando. Afinal, um homem precisa dessas coisas.

         – Se a minha mulher descobre…

         – A minha namorada sabe. Achou muito natural que eu procurasse um lugar assim. Afinal, esses lugares sempre existiram para que o homem procurasse neles o que não podia ter em casa, ou com a namorada.

         – Tem uma madame e tudo?

         – Tem uma madame com cara de da gente. Serve um licorzinho, bolinhos de polvilho. E vai apresentando as meninas.

         – E que tal as meninas?

         – Fantásticas. Tem uma, a minha favorita, que se chama Cíntia. Esta não existe.

         – O que é que ela faz?

         – Para começar, ela não fuma.

         – O quê?

         – Não fuma em público.

         – Puxa, rapaz! Já estou ficando animado.

         – Não diz palavrão.

         – Não! Essa só vendo.

         – E quando eu digo palavrão ela não gosta. Fica embaraçada.

         – Me conta, ela fica ruborizada?

         – Você também já quer os detalhes clínicos. Mas fica. Fica ruborizada.

         – A última vez que uma mulher ficou ruborizada na minha frente acho que foi antes do Collor… Mas conta, conta.

         – Tem outra, a Sueli. Uma loira. Esta usa vestido tomara que caia.

         – E está sempre puxando o vestido para cima, com medo de que apareça o rego dos seios?

         – Acertou. Fala baixo, também.

         – Eu vivo pedindo para a minha mulher falar baixo, mas ela se recusa. Depois um homem procura uma casa dessas, e elas não compreendem por quê…

         – Tem a Leonor. Essa é das mais requisitadas. Todos querem ficar com a Leonor.

         – O que é que ela faz?

         – Usa sutiã.

         – Meu Deus.

         – E daqueles com armação, pontudos, que espetam a gente. Sueter e sutiã.

         – Você precisa me levar lá!

         – Vamos na quinta-feira. Quinta-feira é dia de desfile.

         – Desfile?

         – De maiô.

         – De biquíni, tanga…

         – Não, de maiô, mesmo. Aliás, não é nem maiô, é maillot.

         – Não me diz que aqueles inteiriços…

         – Isso, alguns com saiote.

         – Você quer dizer que elas cobrem tudo?

         – Tudo. Elas desfilam e a gente assobia. Uma loucura.

         – Mas, normalmente, o que elas usam?

         – Vestidos.

         – Vestidos de verdade?

         – Inclusive saias. Nenhuma usa calça comprida.

         – Eu não acredito. Você precisa me levar lá.

         – Agora, não é barato.

         – Quanto, mais ou menos?

         – Depende do que você quiser. Namorar no sofá com a madame fazendo tricô na poltrona é tanto. Por um pouco mais, a madame cochila.

         – E as meninas, topam?

         – Só beijar, e assim mesmo depois de um mês.

         – Formidável! Elas dão tapa na mão se a gente tenta alguma coisa mais?

         – Dizem “Não!” e se afastam, no sofá. Tapa na mão é mais caro.

         – E o que é que elas dizem? Na hora, o que é que elas dizem?

         – Dizem “Eu não sou dessas…”. Dizem “Só depois do casamento”. Dizem “Você só pensa nisso…”.

         – E pensar que eu vou chegar em casa e encontrar minha mulher e seu grupo de nudismo no chão da sala, nos seus exercícios de sensibilização oriental. Minha mulher entrou num curso de Otimização Erótica. Está impossível. Eu não aguento mais.

         – Vou apresentar você à madame. Ela tem exatamente o que você precisa.

         – Quem é?

         – A Celeste. Uma nova.Não cruza as pernas porque acha feio.

         – Vamos agora. Agora!”

Te espero nos comentários e nas redes sociais para continuarmos essa conversa.

Com afeto,

Elisabeth Rosa        

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